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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2009

A percentagem da consciência

Esta semana tenho andado revoltada, indignada, irritada, enraivecida, enfurecida. Ando completamente possessa. Culpado: Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, que aufere anualmente 250 mil euros, trinta e nove vezes vírgula seis o que aufere uma pessoa que ganha o ordenado mínimo nacional, índice um, seis mil e trezentos euros anuais, contando com subsidio de ferias e natal, e, duas virgula oito vezes o que aufere alguém com o índice cento e quinze, da função pública, oitenta e oito novecentos e nove vírgula doze cêntimos, sendo, este senhor, o terceiro mais bem pago do mundo.
Este senhor diz que a função pública não pode ser aumentada mais do que um por cento, fazendo as contas vamos ter:
Índice 1 - 450,00 euros x 1% = 454,50 euros/mês
Índice 115- 6350,68 euros x 1% = 6414,18 euros /mês
Vítor Constâncio - 17857,14 euros x 1% = 18035,71 euros/mês
O problema da percentagem é este: Quem ganha uma miséria tem, uma miséria de a…

O Anjo da Morte

Vivo enroscada, de dia e de noite, entre o preto e o branco e, hoje, estou apática, indiferente, sem vontade de contestar a este desafio. Há, quase, um mês que venho adiando este momento. Tu és o único que sabes porquê, és o único que consegue ler a minha mente, o único que sabe a saudade que me assola, a revolta que me desgasta, o desespero que me domina.
O preto, que, para mim, simbolizava o mistério, a fantasia, a dignidade, a confiança, a sofisticação e o luxo, hoje, simboliza o terror, o pesar, a morte e o luto.
O branco, que, para mim, era o símbolo, da paz, da calma, da pureza, da limpeza, do relaxamento, da verdade, da sinceridade, da esperança e da inocência, hoje, simboliza, apenas, o frio, o teu arrefecimento, a tua destruição.
Não estava prevenida, ninguém estaria, para a tua partida, depois de um dia passado contigo, vendo-te rir, brincar, falar e andar. Eram os teus primeiros passos, trémulos, ainda, mas, tão meticulosos. Ficava horas a ver-te agir e interagir, com os bri…

Um pouco de mim, de ti, de nós

A minha querida Mulher a 1000/h, presenteou-me, mais uma vez, com um selinho. Ela sabe que não sou muito adepta destes prémios, prefiro as visitas dela ao meu blog e os seus comentários inteligentes mas, este selo é muito especial, foi-me oferecido no seu dia de anos. Assim sendo resolvi aceita-lo e, claro, distribuí-lo:
1- Para ti Sílvia, não podia deixar de ser, mereces, isto e muito mais. Preenches, sabiamente, muitos dos meus momentos;
2-R.I.P.per, apesar de saber que não gostas destes troféus, não podia deixar de premiar o teu talento;
3- Ginger, mais um talento, com muito valor, que encontrei, neste mundo;
4- Bela, és uma menina com um coração enorme, atenta, meiga e inteligente;
5- Mel, conheci-te há pouco tempo mas, tenho um grande carinho por ti e, claro, adoro ler o que escreves, incluindo os teus contos, agora colocados em cantinho especial.
6- PI, a minha primeira comentadora feminina, a pessoa que me ofereceu o primeiro selo, a minha primeira ligação com este mundo. Como poderi…

A Vida na Cor

Brown Eyes


Elaborado para Fábrica das Letras, "Preto e Branco"

Surpreendida com rosas

Um dia, há uns anos largos, anos cinzentos, daqueles em que tudo se encrespa, entra pelo meu gabinete uma florista, que eu conhecia de vista, com um ramo enorme de rosas vermelhas e uma caixa com um laçarote dourado.
Ela: Mary Brown? São para si.
Eu: Sim, mas,… deve, deve haver aí um engano. Não faço anos hoje, nem conheço ninguém capaz de me fazer tal surpresa.
Ela: Não há não. Ligaram-me, deram-me o seu nome, local de trabalho, pediram-me que lhe trouxesse este ramos de flores, que lhe comprasse esta prenda e que não dissesse quem lhe fazia esta surpresa. Aliás, acrescentaram, ainda, que a Mary nem o conhece mas, ele conhece-a a si.
Eu: O quê? Está a brincar comigo, não? Não, não posso aceitar.
Fiquei tão surpreendida que nem sabia como agir, aliás, eu estava a gaguejar e, acreditem, não sou gaga.
Ela: Como?
Eu: Não posso aceitar. Não gosto muito de ser presenteada, prefiro presentear, muito menos por alguém que não conheço. Imagine!  Era só o que me faltava. Obrigada mas não vou m…

O Ninguém e Eu

Um dia, daqueles que queremos negar tudo e todos, resolvi escrever sobre ninguém (uma síntese total deste ser)  e como ninguém. Há alturas que tenho uma vontade férrea de ser igual a ninguém. Esse ninguém que é sempre inocente, esse ninguém que é cego surdo e mudo. Esse ninguém que tanta revolta e tanto ódio cria em mim. Tantas lutas que tenho travado com ninguém e contra ninguém!
"Não sou filho de ninguém e ninguém são meus pais. Ninguém é responsável por mim, eu não sou responsável por ninguém. Não esmago ninguém, ninguém é esmagado por mim. Não espero a ajuda de ninguém e é a ninguém que eu ajudo. Não me lembro de ninguém e ninguém é lembrado por mim. Não vivo para ninguém, ninguém vive para mim. Não governo ninguém, nem ninguém é governado por mim. Não me sacrifico por ninguém e ninguém se sacrifica por mim. Não ouço a recriminação de ninguém e ninguém é recriminado por mim. Não espero nada de ninguém, ninguém espera nada de mim. Não sou apoiado por ninguém e ninguém é apoiad…

O Enredo dos Atalhos

Hoje parece que os atalhos deixaram de ter a definição de cruz. O velho ditado que nos dizia que, “quem se mete em atalhos mete-se em trabalhos”, não tem mais razão de ser. São mesmo os caminhos que nos brindam com dificuldades.
Há uns anos largos, na altura que me locomovia a pé, lembrei-me de ir passar um Domingo à praia. Estava a uns dez quilómetros mas, mesmo sem transportes, pus-me a caminho. O calor insuportável que me cobria o corpo de gotículas de transpiração, estava a destruir-me o desejo. Do meu lado direito, após ter andado uns quilómetros, ou terão sido apenas uns metros, não sei, aparecia o azul do mar, logo ali, a dois passos de mim. Havia um atalho entre a natureza queimada que esboçava um pulo até ao azul aguado. Azul que me envolvia a imaginação. Bem, era um atalho, atalho trabalho, e, a Mary Brown, nunca escolhia a facilidade, hesitou. Hesitava, ao mesmo tempo que se ia embrenhando, a medo, naquele caminho mal marcado. Quando me apercebi o atalho tinha desaparecido, …