Avançar para o conteúdo principal

O Sonho de Patrícia

Patrícia não tinha tido uma infância, uma adolescência, uma vida feliz. Tinha-se dedicado durante a sua existência aos outros. Durante anos esquecera-se que existia, para mimar os outros.
Mas um dia, um dia pesou a sua vida e, do seu lado, o prato batia no chão. Ela, que tanto tinha dado, nada recebera.
Já tinha passado dos trinta, não queria ver chegar os quarenta sem puder viver, sem ter tempo para si, sem ter feito algo por si.
Família? Que família? Onde ela estava? Família é aquela que está ao nosso lado, pronta para fazer algo por nós sem de nós nada esperar.
Filhos? Até os filhos a tinham traído. Só queriam dinheiro e mais dinheiro sem se importarem se ela estava bem ou não, se tinha dor de estômago, cabeça ou costas. Queriam era vê-la trabalhar e trabalhar.
Estava cheia. Cheia de ser usada. Usada e, ainda por cima, ser a má da fita.
Afinal Patrícia sempre fora tão livre, porque se deixaria prender por eles? Não. Não queria morrer sem viver.
Estavam aí os quarenta, estava na hora. Na hora de virar tudo. Virou. Chegou o dia em que disse:
-Gente a partir de hoje não estou. Berrem, esperneiem mas vou viver. Não adianta chantagearem-me. A Patrícia acabou de morrer.
Nunca mais ninguém a viu. Partiu. Partiu, cheia de mágoa mas, repleta de vontade de ser feliz.
Não se esqueceu da capa. A partir de agora usaria capa. Nunca mais se deixaria vencer pelo sentimento.
Iria viver só, só para ela e viveu, durante anos. Um dia conheceu alguém que a tocou. Alguém que a fez acreditar na vida e Patrícia que, sempre, viveu para amar amou. Mais uma vez amou, entregando-se de corpo e alma. Sem mentiras nem artifícios.
Esse amor durou anos. Patrícia não queria acreditar que era feliz, que alguém lhe dedicava o seu amor sem pedir nada em troca, valorizando-a.
Se ela acreditava? Se ela se imaginava a envelhecer ao lado dele? Não. Depois de tudo que passou não acreditava em nada. Tinha medo de se desiludir. Vivia o presente sabendo que o futuro seria consigo, talvez não tivesse mais ninguém.
Ele muitas vezes lhe dizia:
-Ofendes-me pensando assim.
Mas ela respondia:
Se até os meus próprios pais, que tinham obrigação, nunca me deram nada e exigiram-me tudo, que posso eu esperar de alguém? Que posso eu esperar da vida? Quando dizia isto lembrava-se do Natal, dos mendigos, que passavam sozinhos debaixo de uma ponte qualquer.
Porque será que ela imaginava assim o seu futuro? Ela tinha casa, emprego, dela, nada de oferta, eram dela e davam-lhe o sustento para o dia a dia. Mas, ela sabia que acabaria na rua. Só não sabia porquê.
Uma noite o telemóvel toca e ela ouve-o dizer:
- Sim, chegaste bem? Tenho o outro telemóvel desligado porque não tem, bateria. Está a carregar(não estava a carregar). Tiveste um acidente? Bateste com o carro (bateu mas infelizmente ainda estava viva). Estou a falar assim porque não ouço o que dizes. Estou em casa sim, porquê? Tchau.
Silêncio
Patricia: -Quem era?
Ele: - Um amigo.
Patrícia: Um amigo? Como se chama?
Ele: - Não conheces.
Patrícia: Não? Engraçado esse amigo tem voz de mulher, não? Que amigo é esse que te pede tanta justificação?
Ele: É uma colega, pedi-lhe para me fazer um trabalho e ela disse-me que já o tem feito.
Patrícia: Amigo, colega, trabalho….Que colega é essa que te pede justificações? Não daria permissão a nenhum colega que me ligasse fora de horas e muito menos que me pedisse satisfações.
Toca o telemóvel novamente. Patrícia estava mesmo a seu lado.
Ele: SIM
Ela: Porque me falaste assim há pouco?
Ele: Porque a minha mulher está ao meu lado e já me está a chatear. Não está a gostar destes telefonemas.
Ela desliga o telemóvel.
Patrícia vira-se para ele e diz:
- De que cor tem ela o cabelo?
Ele:- Castanho, louro, sei lá.
Patrícia: Lembraste que te contei de manhã que tinha sonhado com ratas enormes. Lembraste de te dizer que, quando isso me acontecia, alguém me estava a trair? Essa rata castanha, um castanho quase louro, mordeu-me imensas vezes no meu sonho. Havia uma de cabelos pretos que estava aninhada ao canto da sala mas, essa, essa loura, atacava-me com raiva. Engraçado como, de repente, os ratos, que sempre achei nojentos, traidores, dos quais tinha um medo horrível se tornam, de um momento para o outro, meus amigos.
A vida é assim mesmo, nunca podemos dar nada como certo e como ela dizia:
- Se nada tinha tido dos pais, que eram pais, que poderia esperar de alguém? Nada.
Nada seria o que ela teria no futuro e nada era po que ela queria. Sonhar faz bem mas, pode matar. Pode matar quando se acredita num sonho que, só serve para nos trazer distraídos.
Patrícia partiu, mais uma vez, mas, desta vez, partiu para sempre. Se ninguém merecia nada que fazia ela ali? Nada e com nada ficaria mas, nada deixaria. Carregaria o peso da sua vida, apenas esse.
Brown Eyes

Comentários

Poetic GIRL disse…
Acho que tenho tanto da Patricia em mim. Tocou-me muito Brown Eyes. beijinhos
Helga disse…
Creio que a dada altura, todos nós somos Patrícias. Todos nós nos damos incondicionalmente. Todos nós sofremos desilusões. Aprendemos. Vacinamo-nos. Refugiamo-nos na nossa concha e temos medo de nos dar de novo, de nos entregar. Se é a atitude certa? Definitivamente não! Quanto mais medo temos, mais sofremos e mais corremos o risco de cair nas graças das pessoas erradas, das pessoas que percebem a nossa fragilidade e se aproveitam dela. Há que retirar força da mágoa e não nos resignarmos à dor que ela nos causa. Pois só nos podemos culpar a nós mesmos pela oportunidade que demos aos outros de se aproveitarem de nós.
Gostei desta tua história, como gosto de todas as que escreves.

Beijinhos :)
Patrícia partirá desta vida deixando cá na Terra o que há d emelhor: compartilhar e confiar.

Já fui traída, me desiludi, fui abandonada, quase enlouqueci.
Mas dei a volta por cima.
E passei a gostar mais de mim e confiar em minha escolhas.

Gostar e confiar nos outros foi só um pulo.

Beijo
Conheço uma Patrícia de muito perto
que tem muito a ver com este texto
e comoveu-me imenso ao lê-lo.
Feliz Páscoa. Estou distante do
meu país, para recuperar, mas
o vício da Net acaba por me direcionar para o computador.
Beijinhos.Boa Páscoa
A.S. disse…
Nada há que magoe tão profundamente como a traição!


Um beijo...
AL
Guinevere disse…
Este texto é muito bom. Gostei muito. Porquê? Porque me fez ficar a pensar... porque atraiu a mim uma catadupa de pensamentos sobre assuntos que têm ocupado grande parte de mim nos últimos tempos: o dar, o abandono, a solidão, o acreditar.
Beijo
Patty disse…
Uau, que texto.
Estavas mesmo inspirada, há tantas Patrícias por aí.
Temos algumas coisas em comum, uma delas o nome. A traição é uma coisa que doí muito mas infelizmente existe muita, não existe só a traição do namorado, marido, mas também as dos amigos e família que tu falas muito bem na tua história, essa doí muito também.
Eu aos poucos tenho aprendido muito nos últimos meses, estou um pouco diferente, felizmente que tenho aprendido, mas é difícil de mudar.
Bjocas
Patty
Olga disse…
Lindo o teu texto Mary. Achei-o profundo e cheio de sentimento. Existem muitas Patrícias neste mundo, e existe um pouco desta Patrícia em todos nós. Ninguém merece o sofrimento, seja de que forma for, mas tudo deve ser encarado como algo que foi colocado no nosso caminho para se aprender algo, deve ser é uma situação difícil de ultrapassar. No entanto acho que a Patrícia seria forte e encontraria forças para recomeçar uma terceira vez e iria abrir o coração de tal forma que teria a felicidade merecida.
Brown Eyes disse…
Bela obrigada pelo teu comentário. Acreditar, hoje, mais que nunca é difícil, porque as pessoas parece terem perdido tudo, até os sentimentos. O amor é visto como algo tão banal como ir às compras. Não pensam um bocadinho antes de agir. Não têm a noção da importância desse sentimento. Quando se sentem acurraladas mentem, quando têm a noção da importância de quem trairam é tarde. A traição é algo que não se consegue esconder, algo que tem perna muito curta, principalmente quando as Patrícias sabem somar.
Beijinhos
Gingerbread Girl disse…
As "Patrícias" desta vida são mulheres de força... vão onde as outras não vão, e porquê? Porque têm a certeza daquilo que é mas que as outras ainda não sabem: "Nunca contar com ninguém". Pode parecer frio e cruel... mas é assim que é a vida.

Abraço apertado*
Brown Eyes disse…
Helga o problema é que as Patrícias dão oportunidade aos outros de se aproveitarem delas e porquê? Porque elas não são manhosas. Confiar novamente é cair no erro novamente é ajudar alguém a destruí-la completamente. Afinal, apesar de tudo, ela acredita demais nas pessoas. Não duvida mas, a maldade existe e ela já a sentiu.
Beijinhos
Brown Eyes disse…
Ana Cristina é difícil acreditar quando se compartilhou tanto e confiou. Será possível voltar a confiar?
Beijinhos
Brown Eyes disse…
Silenciosamente ouvindo obrigada por teres vindo à net e teres dado a tua opinião. Desculpa se te fiz recordar o que não querias. Espero que consigas recuperar. Um beijinho grande para ti.
Brown Eyes disse…
A.S. pois não. Nós vivemos com ela no nosso dia a dia. Há tanta variedade de traição. É tão simples dizer a verdade e assumir. Beijinho para ti também.
Brown Eyes disse…
Guinevere o que tem ocupado o teu pensamento tem mesmo muito que reflectir. Se analisássemos bem tudo que decisão tomaríamos? Sempre que damos, sempre que acreditamos, estamos sujeitos a sofrer mas sem sofrimento, sem problemas não cresceríamos, não nos desenvolveríamos,não nos renovaríamos. Que escolher? Arriscar ou jogar pelo seguro?
Brown Eyes disse…
Patty é mais um texto sobre o problema cada vez mais actual. Afinal as novas tecnologias criam a oportunidade para a traição. O que me indigna é porque ela existe, quando muitas vezes se ama a pessoa com quem se está?
Beijinho
Brown Eyes disse…
Olga ninguém merece sofrer mas a verdade é que se sofre por se fugir da verdade. Beijinhos
Brown Eyes disse…
Ginger isso para elas é ponto assente e mesmo que um dia confiem vivem esperando que chegue o dia da verdade. Resumindo deixam de confiar e por mais que se diga que se recomeça, nunca se recomeça em branco, sem desconfiança. A vida nunca mais será a mesma o que acabará por não permitir a felicidade completa até porque elas aprenderam a somar e mesmo de noite somam. Foi o que aconteceu à Patrícia e que lhe permitiu conhecer a verdade.
Beijinhos
JPD disse…
Eis um belíssimo exemplo onde a paridade conjugal nunca funcionou.

Quero dizer, a união não resultou porque a Patrícia veio cheia de traumas para o casamento e o marido, oportunista, sem qualificação, em vez de romper, arranjou a ligação e descaradamente tentou o ludíbrio.

A vida das pessoas, não estando pré-determinada, pode ser alterada, sem um acentuar contumaz de traumas.

Nesse particular, a Patrícia não se precaviu.

Bjs
meldevespas disse…
A Patricia só tem uma certeza, a de que vai acabar na rua...isso é triste. Já alguém disse aqui que todos temos um pouco do espirito desta mulher que escreves. Todas temos momentos de bater com o prato, com a porta, com a vida, e todas acabamos mesmo por fazê-lo uma ou outra vez. De qualquer maneira, a esta mulher faz falta amar-se mais, bater com a porta também é fugir, bater com a porta também é não pegar o boi pelos cornos.
Beijo Grande Mary B.
Brown Eyes disse…
JPD concordo com a tua análise:). Os "traumas" marcam uma pessoa para toda a vida. Esquece-los é impossível. Como dizes o marido deveria ter mantido a confiança que criou nela, ele criou essa confiança, fictícia, concordo, mas, depois, não hesitou em pôr de lado tudo, todo o amor, dedicação e carinho, para viver a seu belo prazer. Por um prazer efémero, não tendo em conta o que a sua atitude poderia causar na mulher com quem compartilhava a vida. Uma atitude mal pensada pode estragar uma vida. Afinal como poderemos viver se perdemos a confiança na pessoa em quem mais confiávamos? Alguma vez poderemos voltar a confiar? Viver a duvidar é possível? Não.
Beijinhos
Brown Eyes disse…
Mel obrigada por mais uma visita tua. A alguém como ela não basta amar-se mais um pouco, acho que ela se ama muito, tanto que não se ilude nem vive na mentira. Ela sabe que alguém como ela, que respira sinceridade, não tem grande futuro. A verdade é que as pessoas se aproveitam de gente como ela e na hora de pisar é as que sofrem as consequências. Mel o oportunismo dos outros não depende do amor próprio que alguém tem por si. Esta mulher nunca jogou. Na vida dela tudo era feito com amor, carinho e amizade e ela sabia o valor que esses sentimentos têm na sociedade, nenhum. Como diz o JPD há sempre um oportunista à espreita.
Há certezas que não se sabe de onde vêm, mas existem. Ela tinha essa.
Beijinho e obrigada
johnny disse…
Lá está... homens errados :)

Primeiro diz que iria viver só para ela, depois deixou-se cair na tentação. Mas sabia que não o amava, já sabia que alguma coisa ia acontecer, porque "não acreditava em nada".

Não terá sido essa disposição a ajudar ao fim da relação em que se envolveu?

Se ela achava que devia viver só para ela, devia ter feito mesmo isso.

Isto é o psicólogo em mim que diz: Patrícia estava mal resolvida consigo mesmo.
Brown Eyes disse…
johnny há muitas mulheres erradas, também. Já houve mais diferenças, neste campo. Ela amava-o apesar de, no fundo, saber que o mais certo era passar pelo mesmo. Há destino? Deve haver porque há pessoas com muitas qualidades que atraem desgraças. Será por acaso?
Acreditar depende do passado. Por mais que o queiramos esquecer é ele que nos dá ensinamentos para o futuro que nos ensina a proteger-nos. É assim que se acredita mas se dúvida. Acredita-se e duvida-se. A verdade é que nada é certo nesta vida, não é? É o passado que te leva a saber disto e a poder vir a orientar a tua vida com esta certeza.
Penso que não terá influenciado em nada, afinal ela amava-o mimava-o e, mesmo duvidando da sorte, não o fazia transparecer no seu dia a dia.
Devia ter vivido só para ela, exactamente, evitaria outra decepção.
Patrícia não estava mal resolvida, Patrícia quis dar-se uma oportunidade. Afinal todos devíamos ter direito ao amor, sem espinhos, a ser amados. Ela pensou que seria desta. Ele tinha um comportamento irrepreensível mas, não foi ainda desta.
Valeu a pena? Ele proporcionou-lhe, apesar de tudo, muitos anos de felicidade, felicidade que ela nunca tinha sentido.
Já escrevi um comentário que não
seguiu, 2ª. tentativa, para dar
um beijinho e agradecer a visita
ao meu. Tudo de bom para si./Irene
Fê-blue bird disse…
Um texto sentido, profundo e cheio de emoção.
Tantas vidas assim por aí, tantas!
Mas nem todas tem a coragem de partir, de começar de novo, porque afinal todos merecem ser felizes, mesmo carregando tanto sofrimento.
Gostei muito mesmo!
Parabéns!
Um beijinho
Brown Eyes disse…
Silenciosamente não tens que agradecer. Faço-o por gosto, se assim não fosse não o faria.
Beijinhos
Brown Eyes disse…
FÊ é mais um texto sobre algo que me revolta a traição e a mentira. Acreditas que esse tipo de pessoas mesmo confrontados com a verdade continuam a mentir? Pois é. Julga que ainda não se sabe toda a verdade e ainda podem continuar a mentir. Quantas vezes se sabe toda a verdade, nem imaginam, e não falamos nela para ver até onde vai a hipocrisia.
Há sempre que começar, seja de que maneira for.
Beijinhos e obrigada
Tulipa disse…
Muito bonito Brown Eyes! Quero muito continuar a acreditar que a esperança e o acreditar em nós é solução para a felicidade! kisses
Anne disse…
Brown, reparei nos teus comentários. Já tinha essa sensação mas agora fiquei com uma ainda mais forte de que já foste muito magoada na vida. Traída por família, amigos e pelo amor. posso estar errada mas mesmo nos comentários que me escreves quando me sinto assim, noto que tentas avisar-me que se eu for demasiado dada às pessoas, se eu confiar demasiado poderei sair muito magoada. Como se soubesses a que sabe esse sentimento de injustiça de uma traição.
mas eu acho que tu, por mais que fales contra todas estas mágoas, continuarás a ser uma pessoa que dá, que se entrega. Por mais que uma pessoa saia magoada, não aprende. porque talvez ao confiar nas pessoas poderemos amar completamente, mesmo que no fim o mesmo de sempre aconteça. porque tu sabes, como eu, que o melhor do amor está em dar não receber. Senão não era amor. Nunca deixes de ser assim. Porque se não dermos esse passo, poderemos nunca descobrir realmente as pessoas que nos rodeiam.

Se bem que tenho perfeita noção de que se não tivermos reciprocidade nas nossas acções e sentimentos não é benéfico. Mas uma coisa é sermos mártires, outra coisa é fecharmos a nossa alma com medo de sairmos magoadas.

gostei muito do texto. e desculpa qualquer assunção que eu tenha feito de forma errada sobre ti. :)
Brown Eyes disse…
Tulipa obrigada. Beijinho
MZ disse…
Existem pessoas que transportam com elas uma espécie de 'carma' e por mais que se esforcem, não se conseguem libertar dele. Por mais cuidado que tenham nos envolvimentos afectivos acabam sempre por atrair o mesmo tipo de relações.
A tua Patrícia parece um íman a sorver sofrimento emocional e doloroso (que se tem vindo a manifestar desde criança).
Não podemos virar as costas à felicidade e desistir de ser feliz, isso nunca!
Podemos é mudar também o nosso comportamento e procurar ser-mos felizes de outras formas. Cabe-nos a nós descobri-las.

Gosto sempre das tuas histórias, Brown Eyes!
beijinhos
Brown Eyes disse…
Ana estás certa em muita coisa. Já fui muito traída e magoada. Por amigos não. Nunca depositei muita confiança nos amigos, fui sempre amiga mas coloquei sempre reticências nas pessoas. Recebi, no entanto muito dos amigos, tanto ou mais do que dei. Nunca lhes dei hipótese de me desiludirem porque nunca esperei nada deles. Percebes Linda?
Amor (amor de um homem) nunca fui traída na ascensão da palavra, sofri muitas desilusões. Eu sou uma mulher que não me satisfaço com homenzinhos, para mim alguém que não tenha personalidade, que não lute pelo que quer, desilude-me, sempre. Poder de decisão, objectividade é essencial. Iludiram-me e com o convívio vi que afinal aquela pessoa demonstrava ser o que não era, só para me cativar porque sabia o que eu achava essencial. Mas ninguém engana muito tempo. Os outros não são tão burros como pensam. Há sempre um gesto, por mais pequeno que seja, uma palavra que nos faz cair na realidade.
Família? Aí talvez. Tratando-se de família deixo as coisas no ar. A família para mim é tão importante que não consigo falar dela, mesmo que me tenham dilacerado até ao mais profundo de mim. Tudo que disser dela será sempre abstracto.
Ninguém faz para receber em troca. Tudo que fiz na vida foi desinteressadamente, mas todos queremos ser reconhecidos. Reconhecimento que não tive, o que foi injusto. O meu destino, acredito no destino, colocou-me num meio demasiado hostil para uma pessoa como eu, tão sentimental e com objectivos tão definidos.
Ana quando nascemos com uma determinada personalidade é difícil manipulá-la mas eu tento fazê-lo. Sei que se fosse eu, a 100%, já me tinham destruído há muito. Não dou uma segunda oportunidade, posso andar muito tempo a reflectir mas quando corto é definitivo. Não há hipóteses de retomar. Amo-me demasiado para isso e não acredito que as pessoas más se emendem. Sei o que dói uma desilusão, o que dói a realidade e antes que alguém construa uma realidade rosa que se torna negra eu já construí uma parede, daquelas tão altas que é impossível transpor. Ana tens razão quando dizes que se não dermos nunca chegaremos a conhecer as pessoas que nos rodeiam, prefiro isso a desiludir-me. Tento sempre manter a minha independência para não sofrer. O passado nunca se apaga e analisá-lo mantêm-nos seguras. É o que faço. A minha segurança sempre dependeu de mim, nunca pude contar com ninguém, nem nunca contei. Hoje tenho alguém com quem sei que posso contar. Achas que conto? É mais forte que eu este desejo de protecção. Tão forte que não consigo destruí-lo.
Como dizes tento avisar-te, é verdade. Não queria que ninguém passasse pelo que eu passei. Daí tentar que as pessoas possam ser felizes com o pouco contributo que eu possa dar, sem fazer com que a vida delas perca a beleza porque, apesar de tudo a vida é bela. Apesar de haver pessoas tão más. Ana sabes que admiro a sinceridade e acredita que te agradecerei sempre que o fores.
Beijinhos
Poetic GIRL disse…
Gostei muito desta partilha entre ti e a Ana ;) só veio reforçar ainda mais a ideia que tenho das duas, as quais gosto muito! beijocas a ambas
Brown Eyes disse…
Bela nunca me importei de partilhar quando não o faço não é por mim mas por alguém. A imagem de uma pessoa é algo muito importante para mim que, com uma simples palavra pode ser desfeita. Evito isso ao máximo. Há pessoas que amaremos durantetoda a vida por mais nal que nos tenham feito. Quanto à minha pessoa não tenho preocupações com a imagem. Sou assim, com defeitos como toda a gente e assumo-os. A Ana é uma pessoa de quem já tinha saudades. Uma pessoa que analisa tudo o que vê e lê, inteligente e sincera. Quem não gosta de ouvir a opinião dela? Eu adoro. A opinião das pessoas é de uma grande ajuda quando nos analisamos.
Beijinhos
Anne disse…
Brown, enquanto gostares estarei aqui para te dar a minha opinião. :)

e obrigado pela parte que me toca. tb gosto muito de "conversar" contigo. :)



Poetic obrigado querida. tb te tenho em boa consideração. :)
Brown Eyes disse…
Ana eu é que te agradeço.
Beijinhos

Bela para ti vai também um beijinho e um obrigado.
Di disse…
Esta é a tua história?

A traição... Já me trairam tanto e ainda nem 20 anos tenho - mas que importa a idade - a sim, importa quando me dizem "és tão nova, não sabes nada da vida", claro que sou, e claro que sei. Não sei tudo. Mas sei que agora já não me deixo pisar, e se me querem enterrar, agarrem-se bem porque vão comigo.

O teu blog é, sem dúvida, o primeiro da minha lista :)

Beijo grande para ti *
Brown Eyes disse…
Di não é a minha história mas é a história de muita gente. Traição todos recebemos, no nosso dia a dia. É assim mesmo, enterra-os a eles. Há aí tanta gente que não merecia ter nascido. Obrigada pelo teu miminho Di.
Beijinho grande para ti

Mensagens populares deste blogue

Fotoshop, para quê? Continuas Feia por Dentro!

Em primeiro lugar, vou pedir desculpa a quem costuma passar por aqui. Quem o faz sabe que há atitudes que me revoltam e que por isso...Vou desabafar. Tenho andado super, super indignada com certas publicações no facebook de uma pessoa que conheci há muitos anos, tantos que até já me esqueci. Trago essa pessoa atravessada porque foi e é, não acredito em milagres, a pessoa mais ordinária que conheci e que, infelizmente, tive que lidar de muito, muito perto. Há um tempo atrás descobri uma página dela no facebook (se cometer algum erro  não se admirem, sou uma dessas excepções que nada percebe sobre o facebook) e daí para a frente as publicações e até as páginas (os nomes também vão mudando) têm mudado (faz-me lembrar aquelas pessoas que passam a vida a mudar de número de telemóvel, sempre que querem fugir de alguém mudam de número de telemóvel). Muda tudo mas, a frase de apresentação vai mantendo o mesmo sentido, mais coisa menos coisa, a última é:
Sou amante do Universo, da paz, do conh…

Carnaval de Vermes